Aos passantes, desejamos boa leitura.
Aos copistas, desejamos bom proveito.
Aos leitores qualificados, agradecemos, sinceramente

"Desafios"

"A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e convivência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafios"

Martin Luther Kink Jr

sábado, 18 de setembro de 2010

Apesar de posar como inofensiva,

sob um olhar mais crítico e protetor,

a INTERNET revela seu lado perigoso e influente.

Por: Juliana Reis

Juliana Mendes

João Lucas Siqueira

Guilherme Gomes


Vamos ver se você adivinha, caro leitor! Ela é um dos meios de comunicação mais fáceis, acessíveis e usados, é uma grande fonte de informações, estimulando a inteligência , e oferece diversas oportunidades de lazer e formação. Parabéns para você que já acertou. Para quem ainda não sabe, aqui vão mais algumas dicas: pode facilmente causar dependência, propagar informações erradas, fornecer a venda de bebidas e drogas, pode transformar a personalidade dos usuários e suprir a maior quantidade de informações na área de sexualidade. Saudações, Internet! Liderando o topo dos absurdos, há os crimes. Agora nem dentro de sua própria casa você escapa... Os mais usuais ocorrem através dos e-mails. Podem ser pedidos de atualização de dados bancários e senhas, referentes a falsos prêmios, ou o envio de arquivos anexados, geralmente com extensões “.exe” e “.scr”. Tem também outro tipo de crime, mas não tão grave: o assassinato gramatical. O uso da língua portuguesa na Internet é completamente modificado, seja para encurtar, por preguiça de escrever “tanto”, ou seja apenas por diversão. O que realmente importa é que se você usa essa linguagem, em que o “você” se torna “vc”, a “atividade” se torna “atv”, “obrigado” “obg”, além de muitas outras abreviações, o recomendado é que aumente a quantidade de livros lidos. Quem começa a abreviar, não acentuar, na hora de escrever textos ou em situações que exigem maior formalidade, sente a dificuldade na pele.
Há um enfoque necessário na propagação de informações erradas. No passado, a comunicação das idéias era privilégio das pessoas com certa influência. Hoje, o recurso é muito acessível, e isso faz com que qualquer pessoa possa se comunicar pela Internet, inclusive as aquelas que não têm conhecimento dos assuntos. Essas pessoas são um risco às pesquisas escolares, e por isso é importante validar as informações da fonte coletada. A melhor forma de desenvolver um bom trabalho, uma pesquisa de sucesso, é lendo e avaliando as informações sobre um mesmo assunto em vários sites/portais diferentes. É essa mesma disponibilidade de informações que também causa um efeito terrível, de transformação de personalidade. Essa fácil acessibilidade convida o usuário a virar um viciado na rede, como o caso de Sofia, 13. “As minhas amigas reclamavam que eu estava sempre distante, e dando sempre atenção aos meus amigos virtuais mais que a elas. Em casa, a minha mãe reclamava com freqüência com relação ao período, eu sempre tinha que sair às 21:00hs, mas perdi as contas de quantas vezes acordei no meio da noite pra usar, ou perdi refeições”. O tempo que deveria ser usado para estar com a família, sair com amigos, estudar, ler, e etc, acaba sendo gasto na frente de uma tela. Segundo Catiane Bittencourt, 29, que é a fiscal da bibioteca/lan house do Colégio Miró,aproximadamente 55 das pessoas que vão até lá, 20 vão com o objetivo nos livros. O outros 35, que geralmente variam de 10 a 14 anos, sentem a necessidade de estar na Internet, mesmo que custe todo o tempo de intervalo. Como conseqüência da falta de socialização, o usuário pode se tornar solitário e isolado. Irônico, não? Ao mesmo tempo em que a ferramenta abre portas de comunicação e lazer com o mundo inteiro, acaba por muitas vezes, criando mais isolamento e solidão. E enquanto uns têm acesso ilimitado a essas informações, outras são completamente privadas delas. Alguns governos como os do Irã, Coréia do Norte, Mianmar, República Popular da China, Arábia Saudita e Cuba, restringem que as pessoas em seus países possam acessar na Internet conteúdos especificamente políticos e religiosos. Algumas pessoas defendem que deve haver sim, a restrição de sites, mas não os de cunho político e religioso. Elas precisam ler para escolher o que achar melhor, certo? Também está na Internet um dos assuntos mais polêmicos em todo o mundo, que antes era tido como brincadeira, e agora se torna algo sério. E ir para casa, que deve ser o refúgio da vítima do bullying, se agrava dentro do lar. Na internet, mensagens, imagens e comentários depreciativos se alastram rapidamente e tornam o bullying ainda mais perverso. Como o espaço virtual é ilimitado, o poder de agressão se amplia e a vítima se sente acuadamesmo fora da escola. E o que é pior: muitas vezes, ela não sabe nem de quem se defender, tornando o cyberbullying ainda pior do que o tradicional. Outro assunto extremamente polêmico e delicado é o bate-papo e a violação. São inúmeros os casos registrados de conversas com webcam ligada gravando os momentos de maior intimidade da vítima, que pensa estar conversando com uma pessoa confiável. O vídeo é exposto na Internet, prejudicando a imagem da pessoa exposta. O mais famoso caso de bate-papo virtual é o da garota de 13 anos, que pensava estar conversando com um garoto da mesma idade, da sua cidade. Chegou a dar informações como onde estudava, que horas os pais estavam em casa, onde morava, enfim, tudo de mais pessoal e que se caindo em mãos erradas seria comprometedor. Por um milagre, o suposto garoto de 13 anos era um policial civil, que teve a filha na mesma situação. No caso dele, as informações foram para o pior caminho possível e a garota foi estuprada e assassinada. Tomando uma medida precavida, ele visitou a casa da menina, conversou com os pais, os alertou e remediou. Ver o lado obscuro da Internet é doloroso, principalmente para quem mostra. Por fim, temos um placar de –7, que é consequentemente ruim. Mas ela não pode ser julgada dessa modo. Todos os pontos positivos, como citados no início, devem ser lavados em conta. Portanto, placar zerado. A Internet traz muitas coisas ruins, mas isso não deve ser motivo para deixar de usar.

Como lidar com nossos idosos

Como lidar com nossos Idosos
Por Fernanda Góes
Luiza Mettig
Guilherme Gallas
Bruna Gidi &
Lucas Casu

Rumo a se tornar um dos países com maior número de idosos do mundo, o Brasil precisa urgentemente mudar a visão do idoso como um problema e passar a vê-lo como parte da sociedade




Em 2025, o Brasil será o sexto país com maior número de idosos no mundo, com a estimativa de mais de mais de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos de idade. Mas está cada vez mais difícil envelhecer. O recado social é claro: depois de 50 anos, perde-se a humanidade e a cidadania.
Os idosos precisam arrumar emprego, pois a aposentadoria muitas vezes é insuficiente, mas quem vai querer empregar um idoso? Alem disso, têm dificuldades parar encontrar um parceiro quando está sozinho, ter um programa de lazer adequado e ser respeitado pelas crianças e jovens.
Na sociedade atual, muitos jovens não respeitam os mais velhos, tratam os idosos com desprezo e até mesmo se referem a eles com palavras pejorativas, como um exemplo: “coroa”. “Enquanto no Japão e nos países orientais, onde se leva em conta a experiência de vida, os velhos são respeitados e suas idéias consideradas, na sociedade brasileira, o jovem não respeita os idosos, aqui os velhos são marginalizados.” Argumenta Sr. José Walter Góes, 70 anos.
Como já foi citado, os jovens não são o único problema dos idosos. As pessoas com maior idade não têm a maioria de seus direitos assegurados. De acordo com a constituição, pessoas a partir de 65 anos não precisam pagar o ônibus e têm assentos privilegiados, porém, na maioria das vezes, são instigados a pagar e seus assentos são ocupados por pessoas que se recusam a sair. Isso também é comum nas vagas para idosos, geralmente ocupadas por jovens que não respeitam a lei. “É um desrespeito explícito, muitas vezes eu presenciei pessoas mais novas pegarem a vaga preferencial sem dar a mínima importância.” Diz Sra. Márcia Zelante, 67.
Sem falar das filas preferenciais obrigatórias, que em muitos lugares não são nem encontradas. Além de tudo, a aposentadoria pública muitas vezes é insuficiente (mínimo de R$ 240,00) como ressalta a aposentada Márcia “Enquanto o seguro saúde sobe 10, 11%, o ordenado da aposentadoria sobe apenas 6, 7%”. E, do universo de 1,9 mil prefeituras, apenas mil acataram até aqui as novas regras.
Não podemos esquecer as casas de repouso do país, que são sempre caras e ruins além de serem poucas. Sem contar que, para a maioria dos idosos, ir para asilos é algo ruim. Segundo pesquisadores da PUCRS, Universidade Luterana do Brasil e Universidade de Caxias do Sul, a auto-estima de 47% dos idosos entrevistados revelou alterações negativas, como pessimismo, nervosismo, sensação de inutilidade, tristeza e ressentimento.
“Asilo? Deus me livre! Pra mim não existe forma pior de ser mal agradecido, não perdoarei minha família se me colocarem em um. O velho quer estar perto de que ele ama, queremos atenção.” Diz Márcia rindo.
Em Salvador, só há um abrigo público voltado para o acolhimento de pessoas com mais de 60 anos, o abrigo D. Pedro II, que oferece moradia, assistência à saúde, alimentação, além de desenvolver ações que visam à socialização e integração dos residentes. (Mais informações, (71) 3313-5529).
A sociedade e as entidades civis precisam conscientizar-se desses direitos. No Brasil, o idoso é tratado como um problema e não como parte da sociedade e essa realidade precisa urgentemente ser modificada.


Construímos alguns textos no segundo trimestre, dentre eles, apresentaremos algumas reportagens publicadas em "publisher". Para acessá-la de forma legível, clique sobre cada imagem que automaticamente ampliar-se-á. Esperamos que gostem!

Por Fernanda Albuquerque
Luisa Scaldaferri
Marco tourinho
Caio Macedo
Catarina Tanajura




















domingo, 22 de agosto de 2010

Uma verdade inconveniente.

A vida dos brasileiros que trabalham com profissões que sofrem preconceito.
Por: Marcelo Dórea
José Joaquim
Gustavo Barreto
Luiz Fernando Tourinho &
Gabriela Cunha

Será que na sociedade em que vivemos, os brasileiros percebem quando praticam ou sofrem preconceito? Seja esse racial, sexual, religioso ou estético, e até mesmo o preconceito contra as profissões consideradas menos qualificadas, entre elas, o gari, coveiro, a taxista, catador de lixo, motoboy, prostituta e empregada doméstica.
É sobre esses brasileiros, rotulados pela sociedade como ‘’ninguém’’, é que iremos tratar, mostrar o que sofrem, e como ajudá-los. Antônio Leônidas Filho, trabalha como coveiro há 5 anos no Cemitério da Saudade, na Vila Lavínia, conta que já passou por muitas situações desagradáveis com parentes de falecidos. ‘‘ Já aconteceu de parentes de falecidos esperarem fora do cemitério para baterem na gente. ’’ diz Antônio. Também conta que é difícil aguentar as pessoas tirando sarro. Além disso, não há ajuda psicológica para esse tipo de profissional.
Tais coisas também acontecem com os catadores de lixo, ou garis. Temos como exemplo a atriz Camila Pitanga, que se vestiu de gari em um shopping, para ver se seria reconhecida pelo público. Na experiência, constatou que mesmo conversando com as pessoas, ninguém a notou, apenas por estar vestida de gari. Isso acontece frequentemente com esses profissionais. ‘‘ Ninguém olha para a gente como trabalhadores, e sim como lixo. ‘’ conta Daniel Xavier, 44 anos, 15 anos trabalhando como catador de lixo.
O agente penitenciário também sofre preconceito, e assim como o gari, exerce uma profissão altamente perigosa, por trabalhar com marginais, e o gari por ter chances de contrair muitas doenças. Isso, muitas vezes faz como que as pessoas abandonem ou desistam do emprego, pelo preconceito que esses profissionais sofrem.
Como pode uma civilização julgar-se tão moderna e ainda existir um sentimento tão primitivo quanto o preconceito? Somos todos iguais, embora a ‘’fachada’’ seja diferente e lutamos por direitos e deveres iguais, então por que na hora de colocarmos isso em prática, a situação muda de figura?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Colégio Juan Miró
Alunas: Bruna Gidi e Carolina Souza
Raul e sua carreira musical
Em toda a comunidade, escola e cidade existe um menino sensível e problemático, mas quem poderia imaginar que tal menino viria a ser um dos cantores e compositores mais importantes do país? Quem imaginou, acertou, esse menino sensível e problemático “virou” Raul Seixas, o nosso querido musico do rock.
Filho do engenheiro agronômo, Raul Verella Seixas, e a dona de casa, Maria Eugênia Santos, Raul Santos Seixas nasceu no dia 28 de Julho de 1945, na cidade de Salvador.
O gosto musical de Raul foi se formando, com 11 anos ele ja gostava das músicas de Luiz Gonzaga, ele acompanhava pelo rádio os seus sucesso. Porém em 1957 se mudou para uma casa ao lado de um consulado norte-americano e Raul travou contato com os garotos do vizinho que lhe emprestavam descos de rock. A partir desse momento Raul virou fã do Rock e principalmente de Elvis Presley. “eu ouvia Elvis o tempo todo. Com 11 anos ouvia tanto seus discos até estragar os sulcos”diz Raul.
Raul deixou com que o rock fizesse parte dele, ele se vestia, falava e agia como um roqueiro; Como ouvia muito rock isso passou a prejudicar os seus estudos.
Ele participou de um grupo chamado “The Panters” com o qual se apresentaram de 1957 a 1967. Com a influência dos Bettles ele passou a compor, e falar o que realmente pensava.
A Banda “The Panters”fez sucesso aqui na Bahia pois utilizou instrumentos elétricos e um ritmo deferente que não existia lá. Chegaram a fazer um Show com um público de duas mil pessoas (no Festival da Juventude).
Raul decidiu deixar Salvador e tentar a sorte no sul, onde são decididas as carreiras artísticas no nosso país. Ele foi para o Rio e lá o projeto foi caracterizado em 1967 quando gravaram um LP pela Odeon,”Raulzito e os Panteras” Tiveram dificuldades em gravar, pois nunca tinham gravado. Como ele escrevia coisas muito diferentes os produtores não ficavam satisfeitos com o resultado. O disco fracassou e eles viram-se obrigados a ser banda de apoio de Jerry Adriani, depois disso por motivos de sobra ocorreu a separação da banda. Raul ficou sozinho e passando fome no Rio por dois anos até que começa a namorar Edith Wisner, e a pedido dos pais da garota que era pastor protestante eleabandona a carreira musical.
Após casar-se cim Edith, ela passou a lecionar Inglês e ele violão para ganhar a vida. Até que surge a grande oportunidade para Raul em 1967, Jerry Adriani vai a Salvador realizar um show, mas ele necessita de um musico local para tocar em sua banda. O pessoal local indica “Raulzito e os Panteras”. Raul impressiona e é convidado para a turnê e lá ele grava um disco pela Odeon.
Tempos depois, Raul foi convidado por Evandro Ribeiro para ser produtor da CBS (atual song BMG), ele participa da produção de diversos artistas. Em 1971, Raul se rebela. Aproveitando a ausência do presidente da gravadora, grava seu segundo LP, em que conta com: Sérgio Sampaio, Edy Stare Miniem Batucada. Todavia, odisco foi retirado do mercado com o argumento de não se enquadrar a linha da gravadora e Raul acaba sendo demitido.
Em 1972, foi promovido um festival pela Rede Globo, chamado: Festival Internacional da canção, ele conseguiu a classificação das músicas : “Letme Sing, Let me sing” e “Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo” . Devido a isso, assinara com a gravadora Philips, para gravar o album “Os 24 maiores sucessos da era do Rock”, que não tinha o nome na capa.
Raul Seixas finalmente alcançou grande repercussão nacional como uma grande promessa de um novo compositor e cantor. Porém, logo a imprensa e os fãs da época foram aos poucos percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor.
Em 1974 , Raul e Paulo Coelho criam a sociedade alternativa, sociedade baseada na “lei”, “Fazes o que tu queres, há de ser tudo lei”. Então a ditadura, pensando que essa seriedade, fosse um movimento armado contra o governo, Raul e Paulo foram exilados para os Estados Unidos, onde Raul teria supostamente se encontrado com John Lomon. Em 1975 grava para a tv Globo o video clipe “trem das sete”. No mesmo ano casa-se com Glória Vaquer, irmã do seu guitarrista Gay Vaquer. Participou do Festival Hollywood rock in rio.
Em 1976, 16 de junho nasce, no rio, Scarlet Vaquer Seixas, segunda filha, segunda filha a primeira com Glória. No ano seguinte separa-se de Glória, que volta para os Estados Unidos com sua filha.
Em 1978 conhece Tânia Menna Barreto, que passa a ser sua nova companheira. No mesmo ano lança o LP “Raul Rock Seixas”, com restos de gravações em estúdio. No ano seguinte separa-se de Tânia e conhece Ângela Maria Affonso Costa conhecida como Kika Seixas. Ja em 1981 28 de maio nasce Vivian Costa Seixas sua terceira filha. Separa-se de Ângela.
Em 1986 casa-se com Lena Coutinho e após dois anos separa-se dela.
As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o último disco lançado em vida por Raul Seixas. O titúlo foi intitulado de “A panela do Diabo”, que foi lançado pela Warner Music Brasilno dia 19 de agosto de 1989.
Dois dias depois, na manhã de 24 de agosto de 1989, Raul Seixas foi encontrado morto sobre a cama da sua empregada, por volta das oito da manhã, vítima de uma parada cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma pancreatite aguda fulminante.
Mesmo depois de sua morte, Raul Seixas continua fazendo sucesso entre novas gerações.

sábado, 24 de abril de 2010

A TATUAGEM
Juliana Reis & Sofia Senne


Elis Regina, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Cartola, Gal Costa, Maria Bethânia, João Gilberto e Dorival Caymmi. Todos esses nomes citados acima são conhecidos não só no Brasil, mas mundialmente, por suas músicas de qualidade e letras inspiradoras, conquistando uma legião de fãs por todo o mundo, e que também serviram de exemplo para cantores e compositores, de uma nova geração. Dentre esses influenciados, destaca-se por sua flexibilidade, escrevendo peças de teatro, livros e músicas, o cantor e compositor Chico Buarque.
Francisco Buarque de Hollanda, nascido no Rio de Janeiro no dia 19 de Junho de 1944, é o quarto dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista Maria Amélia Cesário Alvim.
Ainda quando criança, aos dois anos de idade, sua família mudou-se para São Paulo, onde seu pai recebeu um cargo importante de diretor do museu Ipiranga.
O interesse pela música foi despertado na vida de Chico muito cedo, logo aos cinco anos de idade, através de um álbum de recortes de fotos dos cantores do rádio, artistas que ele admirava muito.
Quando em 1953, Sérgio Buarque foi convidado para dar aulas na Universidade de Roma, Chico já tinha um sonho: “Vovó, você está muito velha, e quando eu voltar eu não vou mais ver você, mas eu vou ser cantor de rádio e você vai poder ligar o rádio do céu, se sentir saudades”, disse ele antes de viajar à sua avó Heloísa.
Durante os anos em que viveu em Roma, Chico teve sua casa frequentada por intelectuais e artistas, inclusive alguns, futuros parceiros.
Ainda com dez anos, Chico retorna ao Brasil, onde produziu suas primeiras crônicas, para o jornal do colégio onde estudava. Ele era
sempre visto com clássicos da literatura de diversas línguas nas mãos.
Sua primeira aparição na imprensa não foi cultural, mas policial, publicada no Jornal Última Hora, de São Paulo. Chico fora acusado,
junto a um amigo, de roubar um carro enquanto passeavam pela
madrugada paulista.
Já aos treze anos, Chico compõe suas primeiras canções, na verdade, operetas, que eram encenadas com duas irmãs mais novas.
Também foi nessa época, logo depois que sua família mudou-se para São Paulo, que Chico cogitou um futuro diferente relacionado à sua profissão, jogador de futebol. Mas, desistiu quando percebeu que para isso teria de treinar muito mais.
Além de compositor, músico e escritor, Chico também é dramaturgo. Quando já adulto, escreveu Roda Viva,
Gota D’água, Calabar e Ópera do Malandro, todas fazendo muito sucesso. Como escritor, publicou os livros
Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite Derramado.
Budapeste foi o que mais se destacou entre eles, pois ganhou o Prêmio Jabuti de literatura de melhor livro de ficção do ano.
Chico, quando escreve suas músicas, nem sempre viveu os fatos relatados na canção, mas é incrível e surpreendente como ele consegue, colocando-se no lugar e estado emocional das pessoas, exprimir exatamente as mesmas sensações e pensamentos. Muitas de suas composições se notabilizaram pela aparição de um “eu feminino”, pois retratam temas a partir do ponto de vista das mulheres, com notória poesia e beleza, como Com Açúcar e Com Afeto, Atrás da Porta, Olhos nos Olhos e Folhetim.

Recapitulando, Chico começou sua carreira musical cantando em encontros com os amigos em um barzinho, e batizou o evento de
“Sambafos”, porque evidentemente também consumiu bastante bebida,
além de produzir muito samba.
Em 1964, com o golpe militar em 31 de Março, e logo depois disso a ditadura, comandada por Getúlio Vargas, as pessoas que eram contra saíam nas ruas protestando e provocando a abordagem da polícia: matando, prendendo, torturando ou exilando. Muitos cantores, a exemplo Gilberto Gil e Caetano Veloso foram exilados por conta de suas músicas de protesto, como Cálice, Fé Cega, Domingo no Parque, e Faca Amolada, de Gil e É Proibido Proibir e Tropicália de Caetano. Aconselhado pelo futuro padrinho de uma de suas filhas, Vinícius de Moraes, Chico decidiu exilar-se em Roma. Antes de viajar, Chico havia sido apresentado à Marieta Severo, através de Hugo Carvana, e então, depois de certo tempo de namoro, a convidou para viajar consigo.
Durante esse período de quase um ano na Itália, Chico escrevia,
mesmo distante, as músicas de protesto, desta vez com um tipo de “enredo” que não era importante no conteúdo da música, usando várias metáforas. Servia apenas para ser aprovada pela censura brasileira. Lá, Chico casou-se com Marieta, e teve sua primeira filha, Sílvia.
Após sua volta ao Brasil, ele continuou escrevendo suas músicas, que faziam muito sucesso, entretanto, por seu histórico, ele começou a encontrar dificuldades na liberação das canções, pois havia um tipo de lista das pessoas que já tiveram músicas barradas pela censura, e eles eram “marcados”. Para conseguir a aprovação da canção que ele queria – Jorge Maravilha – criou um pseudônimo, que é um suposto nome muito utilizado por artistas para publicar suas obras. O resultado foi alcançado, ele conseguiu gravar, e só descobriram que “Julinho da Adelaide” e Chico Buarque era a mesma pessoa, quando o próprio, revelou.
Mesmo com 66 anos, Chico continua produzindo músicas, livros, peças, etc., a exemplo de seu último livro, o já citado, Leite Derramado, no qual um senhor conta sobre suas lembranças do passado.
Muitos livros e obras teatrais foram inspirados na vida e arte de Chico, como a biografia escrita por Wagner Homem e a peça Pedaços de Mim, que conta a história do casal Jasão e Joana, mas especificamente da moça, e a peça acontece com Joana e outros personagens coadjuvantes que interpretam diversas músicas do cantor durante a apresentação.
O estudo da vida e obra de Chico por obrigação, fez com que nós, até mesmo involuntariamente, passásemos por esse estado de adoração e apreciação de seus diversos feitios. Nos fez tirar seus discos do fundo da caixa, e ter sede de aprender, tanto a tocar como a cantar suas canções significantes que compõem a música brasileira de qualidade. E é justamente e por essa influência que exerce sobre os profissionais da arte através de suas obras que será inesquecível: “Quero ficar no teu corpo feito tatuagem”.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Mestre das entrelinhas


Por Fernanda Albuquerque e Fernanda Góes



Ainda se recuperando das feridas causadas pela II Guerra Mundial, o Brasil enfrentou uma grande reviravolta na política, com o suicídio de Getulio Vargas no ano de 1954, que trouxe Juscelino Kubischek à presidência no ano seguinte. Em 1954, com a renúncia de Jânio Quadros, o vice João Goulart assume a presidência.
Enquanto isso, a pianista e pintora Maria Amélia Cesário Alvim e seu marido, o jornalista e historiador Sérgio Buarque de Hollanda davam a luz ao seu quarto filho de um total de sete, Francisco Buarque de Hollanda, que nasceu em 1944, no Rio de Janeiro. Alguns anos depois, Sérgio é convidado a dirigir o Museu do Ipiranga, que fica em São Paulo, e toda a família se muda para a capital paulista, onde mais três filhos nasceram.
Em 1953, a família se muda para Roma, onde Sérgio lecionara em uma Universidade. Lá, Chico estudou em uma escola americana e, na mesma época, demonstrou seu grande interesse pela literatura, por influencia de seu pai, e começaram suas primeiras aventuras musicais, como marchinhas de carnaval, etc.
Dois anos depois, eles voltaram para São Paulo, e em 1959, Chico alterou definitivamente sua relação com a música, com o LP “Chega de Saudade”, de João Gilberto, o qual ele ouvia tão repetida e insistentemente que irritava os vizinhos. Chico chegou a ingressar na FAU ( Faculdade de Urbanismo e Arquitetura) de São Paulo, mas abandonou depois de 3 anos.
No dia 1° de Abriel, Jango foi deposto e o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzili assumiu a presidência do país. Quinze dias depois, através do Ato Institucional número um, o primeiro dos presidentes militares, Humberto Castelo Branco, assume a presidência. E então, com o Golpe Militar de 64, veio a ditadura, que foi seguida pela repressão da censura.
Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, Chico lança seu primeiro LP pela RGE: “Chico Buarque de Hollanda”. Ocorre seu primeiro embate com a censura, pois a música “Tamandaré” é proibida após seis meses em circulação. Nessa mesma época, Chico conhece Marieta Severo, que se tornaria sua esposa mais tarde, através de Hugo Carvana.
Chico participou do IV Festival da MPB da Record, e venceu com a música “Benvinda”, que foi vaiada.
Um ano depois, no dia 18 de dezembro de 1969, Chico é surpreendido em sua casa pela polícia levando-o para depor. Pouco depois disso, Chico optou por fazer um auto-exílio na França, e mais tarde morou em Roma, onde participou de alguns festivais musicais. Para se manter no exterior, Chico fez uma parceria com Toquinho, com quem fez shows em condições muito adversas.
Quinze meses depois, Chico e Marieta voltam ao Brasil, onde ele lança seu quarto LP, com a música “Apesar de Você”, que foi censurado depois de 100 mil cópias vendidas.
Acreditando que seu nome estaria numa suposta lista de censura, o que tornaria mais difícil a liberação , Chico adotou o pseudônimo de Julinho de Adelaide para que suas músicas fossem aprovadas. Através do pseudônimo, gravou “Acorda Amor” e “Jorge Maravilha”.
Chico Buarque, com suas músicas de protesto, cujas letras conseguiram burlar a censura com seus trocadilhos, foi muito importante para o fim da ditadura militar no Brasil. Junto com Gilberto Gil, Caetano Veloso etc, ele conseguiu se expressar muito bem através das entrelinhas e ganharam o apoio da população.
Chico era tão apreciado, que vários autores o escolheram para ser assunto de sua obras, que tinham depoimentos de amigos, familiares, e até do próprio Chico. Com sessenta anos, ele é uma citação obrigatória quando o assunto é música brasileira. Foi eleito o “Músico do Século”.
Ficou marcado também por sua imensa capacidade de escrever expressando-se como mulher. Na peça “Pedaço de mim”, lançada no início do ano de 2OOO, a autora junta duas peças de Chico Buarque: Calabar e, principalmente, Gota D’água, onde ele desenvolve seu eu feminino com suas músicas expressando os sentimentos femininos.
Em comemoração aos seus sessenta anos, a BMG lançou um Box (com 12 CD’s e 2 DVD’s) de título “Francisco”, que reúne todos os discos de Chico desde 1987, o que mostra o quanto Chico é querido e idolatrado no Brasil e no mundo, com suas letras e músicas cheias de trocadilhos, mensagens nas entrelinhas e, principalmente, o sentimento que é passado, que instiga ao ouvinte a conhecer e gostar dele.